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- Atualizado em 15/10/21 às 09h37

Violência tamanho G: em seis meses, Bahia acumula mais de 3 mil homicídios

A escalada da violência na Bahia é uma realidade que tem amedrontado e vitimado pessoas em todos os cantos do estado

Foto: Alberto Maraux / SSP-BA

Edvaldo Sales
A escalada da violência na Bahia é uma realidade que tem amedrontado e vitimado pessoas em todos os cantos do estado. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), nos primeiros seis meses de 2021, foram registrados 3.082 homicídios. Estão contabilizadas no número as vítimas de homicídio doloso (2.794), homicídio doloso com indício de excludente de ilicitude (69), homicídio doloso no trânsito (5), homicídio ocorrido em presídio (9) e homicídio doloso contra mulheres (205).

Outros delitos registrados foram latrocínios (80), estupros (1.451), roubos a estabelecimentos comerciais (532) e assaltos a ônibus (827). Além disso, crimes como cárcere privado e guerra entre facções passaram a fazer parte da rotina dos baianos. E nesse cenário desesperador e sem perspectivas de mudanças, é a população – principalmente a periférica – que mais sofre.

Nos últimos dois meses, por exemplo, uma série de crimes envolvendo reféns assustou moradores de Salvador. Foram mais de dez ocorrências em bairros diferentes.

Nos dias 12, 25 e 31 de agosto, casos assim aconteceram no Complexo do Nordeste de Amaralina, IAPI e no Subúrbio de Salvador, respectivamente. Em setembro, as ações foram nos seguintes bairros: Cosme de Farias, dia 12; Sussuarana Velha, dia 20; Brotas, 23; Cidade Nova, dois casos no dia 25; e em Engomadeira, no dia 28. A ocorrência mais recente foi no último domingo (11), em que um bebê de cinco meses foi feito refém em Dom Velar.

Porto da Barra se torna palco da violência

Foto: Jefferson Peixoto / Secom

Um dos pontos turísticos mais famosos e visitados de Salvador, o Porto da Barra tem se tornado um verdadeiro palco para a criminalidade. No último final de semana, um homem foi morto a tiros na praia. Segundo a Polícia Militar (PM), por volta de 19h, a vítima estava na faixa de areia da praia, quando um homem chegou caminhando e atirou diversas vezes. O homem morreu no local. O atirador fugiu.

No dia 16 de agosto deste ano, um casal em situação de rua foi atacado em um incêndio criminoso na região. O homem e a mulher morreram dias depois devido às complicações causadas pelas queimaduras.

No dia 5 de setembro, um homem foi morto a tiros após um tiroteio em uma das ruas do Porto da Barra. A mãe dele e outro homem também foram baleados na mesma ação, mas conseguiram sobreviver. Já no dia 21 de setembro, um homem com problemas mentais invadiu a praia do Porto da Barra com uma faca em mãos e ameaçou banhistas.

Por causa da onda de violência, a PM trocou o comando da 11º Companhia Independente (Barra), que atende a região. Desde 10 de setembro, o major Uildnei Carlos do Nascimento é o novo responsável pelo policiamento do bairro de tradicionais cartões postais. Ele substitui o major Jailton Carvalho de Santana.

Números da violência do primeiro semestre de 2021

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O V Notícias levantou os números dos principais delitos. Os números correspondem a 1º de janeiro até o dia 31 de junho de 2021. Entre os que ganharam destaques estão 9.995 assaltos, 5.034 roubos de veículos, 827 assaltos em ônibus, 2.794 homicídios dolosos, 1.054 tentativas de homicídio e 1.451 estupros. Os dados são da SSP e levaram a Bahia a ser considerado pelo Monitor da Violência o estado mais violento do Brasil.

Queda de Ricardo Mandarino?

Diante do aumento da violência no estado, informações de bastidores apontam que o governador Rui Costa (PT) estaria cogitando demitir o secretário da Segurança Pública, Ricardo Mandarino. A aposta é que a queda do titular da SSP ocorra até o dia 16.

Mandarino chegou à SSP em dezembro do ano passado para substituir Maurício Barbosa, que deixou o posto após se tornar alvo da Operação Faroeste por suspeita de integrar um esquema criminoso de venda de sentenças.

Caso deixe mesmo a pasta, terá ficado menos de dez meses, enquanto seu antecessor estava desde 2011. Apesar do novo discurso, Mandarino manteve a segurança da Bahia no mesmo ritmo crescente da violência.

*Sob supervisão da editora Chayenne Guerreiro.



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